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Foto do Bill Gates para ilustrar o marketing de conteúdo. Frase em inglês conteúdo é rei.

Bill Gates e o Marketing de Conteúdo em 1996

Há mais de 20 anos, quando a Internet era completamente diferente do que é hoje, Bill Gates – fundador da Microsoft – escreveu um artigo que foi publicado no seu site oficial e falava sobre o que conhecemos hoje como marketing de conteúdo.

Em 1996, com um cenário totalmente diferente do que temos hoje, sem Facebook, sem Instagram, sem Youtube e com internet discada, Gates previu o que aconteceria anos mais tarde e indicou o caminho a ser seguido por quem quisesse sobreviver à revolução da Internet.

O artigo de Bill Gates é intitulado “Content is King” – O conteúdo é rei.

Abaixo, tradução do artigo:

Conteúdo é o que realmente vai movimentar o dinheiro na Internet, assim como foi na televisão.

Quando a televisão chegou ao mercado, deu início a uma série de negócios diferentes incluindo a produção dos aparelhos em si, mas no longo prazo, quem realmente ganhou dinheiro com as televisões foi quem soube aproveitá-las como um canal para distribuição de informação e entretenimento (conteúdo).

Quando falamos de um meio interativo como a Internet, a definição de “conteúdo” é bem vasta. Por exemplo, softwares para computadores são uma forma de conteúdo – e uma bem importante – e nessa área a Microsoft vai continuar sendo a empresa que mais se destaca.

A maioria das oportunidades para outras empresas envolve a criação de conteúdo e divulgação de informações. Todas as empresas podem participar deste novo mercado, não existe empresa pequena demais.

Uma das coisas mais interessantes a respeito da Internet é o fato de que qualquer pessoa com computador e acesso à rede pode publicar qualquer conteúdo que produza. De certa forma, podemos comparar a Internet a uma máquina de xerox: uma forma de replicar conteúdo com baixo custo, não importa o tamanho da audiência.

A Internet também permite que a informação seja distribuída de forma global com baixo custo para o produtor. As oportunidades são muito boas, e muitas empresas já trabalham produzindo conteúdo para a Internet.

Por exemplo, a rede de TV americana NBC e a Microsoft, fecharam um contrato recente para trabalhar juntas na distribuição de notícias. Nossas empresas vão operar um canal de TV à cabo (MSNBC) e um serviço paralelo de entrega de notícias pela Internet. O controle editorial continuará sendo da NBC.

Eu acredito que a sociedade irá ver uma grande concorrência – assim como sucessos e fracassos – em todos os tipos de conteúdo – não somente software e notícias, mas também jogos, entretenimento, esportes, classificados e comunidades direcionadas à nichos de grande interesse.

As revistas impressas tem leitores com interesses em comum. É fácil imaginar essas comunidades no mundo online.

Para ter êxito nesse novo canal, uma revista não pode simplesmente entregar o conteúdo que foi impresso de forma digital. O conteúdo seria muito raso, faltaria interatividade.

Quando o desafio é transformar o computador numa máquina para leitura, os produtores devem entregar conteúdo rico e atualizado, para que as pessoas possam explorar os detalhes. O conteúdo deve ter áudio e se possível, vídeo. É preciso entregar uma oportunidade dos leitores interagirem de forma profunda com o conteúdo, diferente das páginas de revistas.

Uma pergunta muito comum é qual será a taxa de sucesso das revistas ao migrarem para Internet. Mesmo alguns nomes de grande respeito podem falhar na grande rede.

Por exemplo, a Internet já revolucionou a troca de informações científicas. Os periódicos científicos na versão impressa tem baixa circulação e são muito caros – a maior parte deles se encontra das livrarias de Faculdades somente. É uma forma não muito boa de distribuição de conteúdo para uma audiência segmentada, mas até hoje não havia opção.

Com a Internet, alguns pesquisadores já começaram a espalhar seus achados científicos. Isso é uma grande ameaça aos jornais impressos.

Com o passar o tempo, a quantidade de informação na Internet terá proporções gigantescas, o que deixará este canal cada vez mais atraente. Apesar de haver uma espécie de caça ao tesouro neste momento nos Estados Unidos, a combinação de tempo e baixo custo irá deslanchar uma quantidade muito grande de conteúdo em cada país.

Para a Internet se consolidar, os produtores de conteúdo deverão ser pagos pelo seu trabalho. As perspectivas para o longo prazo são boas, mas vejo que no curto prazo haverá muita frustração das empresas tentando capitalizar com anúncios e pagamentos recorrentes.

Por enquanto, o conteúdo produzido o faz por amor ou para vender algo no mundo offline. Geralmente, o esforço é feito apostando que no futuro, alguém vai criar uma forma de capitalizar com isso.

No longo prazo, os anúncios também são promissores. Uma vantagem de anúncios interativos é que a mensagem inicial pode ser focada em atrair a atenção e não necessariamente entregar um monte de informação. Um usuário pode clicar num anúncio para ver mais informações se desejar, e o anunciante pode usar isso para medir o interesse das pessoas.

Hoje, o total de investimento em anúncios é praticamente zero, talvez uns 20 milhões. Os anunciantes tem sempre um pouco de receio em escolher um novo canal como a Internet.

Parte do receio é justificada já que os usuários da Internet não ficam muito felizes ao ver anúncios. Uma das razões por traz disso é que são usadas imagens muito grandes que demoram para serem carregadas numa conexão discada. Numa revista, um anúncio também toma espaço, mas o leitor pode rapidamente virar a página.

Com o avanço da tecnologia e a disponibilização de novas velocidades de Internet, será mais fácil anunciar.

Algumas empresas já estão fazendo testes com mensalidades, sempre oferecendo um período de testes gratuito. É difícil analisar já que, assim que você inicia uma cobrança, o número de visitantes irá cair e isso não é muito atrativo para os anunciantes.

Umas das principais razões pela qual pagar pelo conteúdo não funciona é o fato da dificuldade de fazer essas cobranças nos dias de hoje. Toda a logística envolvida requer que o preço seja repassado ao consumidor, tornando as mensalidades muito caras.

Acredito que dentro de 1 ano, o avanço será muito grande e os produtores poderão cobrar centavos pelo acesso à informação. Se você quiser visitar uma página que custe 5 centavos, você não precisará fazer um cheque de 5 centavos ou esperar uma cobrança nos Correios. A transação será realizada de forma rápida e o acesso será liberado no mesmo instante.

A tecnologia permitirá a cobrança de valores menores na esperança de atrair mais usuários.

Os que tiverem sucesso, irão fazer com que a internet se torne um canal para divulgação de ideias, experiencias e produtos – um verdadeiro mercado de conteúdo.

Por Lucas Riccieri

Trabalho com marketing há mais de 10 anos focado no desenvolvimento de marcas. Instagram|LinkedIn